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Humberto Gessinger faz turnê em comemoração aos 30 anos do álbum A Revolta dos Dândis

Publicado em 26 de maio de 2017      

Humberto Gessinger apresenta a turnê Desde Aquele Dia — 30 anos A Revolta dos Dândis no Tom Brasil, no domingo (28). O show é em formato um trio, com Nando Peters na guitarra e Rafa Bisogno na bateria.

Além de tocar o disco que completa 30 anos na íntegra, Gessinger também tocará músicas de várias fases da carreira, como Alexandria, que fez em parceria com Tiago Iorc. Revolta dos Dândis trouxe sucessos como Infinita Highway, Terra de Gigantes, Refrão de Bolero.

Em entrevista ao R7, o músico contou mais sobre o passado, o presente, o futuro e contou outras músicas que fazem parte do show.

R7– Qual a sensação de tocar o álbum A Revolta dos Dândis 30 anos depois?
Humberto Gessinger– Está sendo bem divertido, as músicas ainda fazem sentido para mim, e musicalmente o disco é muito interessante porque ele me pegou em uma fase muito verde como baixista, eu tocava baixo há menos de seis meses, eu acho. É muito interessante visitar aquela ingenuidade depois de 30 anos e ver que tem coisas bacanas na falta de ciência, quando a gente está se aproximando de uma maneira puramente emocional.

R7– Efemérides como estas servem mais para reavivar a memória afetiva dos antigos fãs ou você acha que há a chance de conquistar novos seguidores?
HG– A cada dia que passa é mais difícil definir como é o fã. Tem galera de várias gerações, certamente para alguns deles vai ser uma viagem ao passado, muita gente vai ouvir as músicas pela primeira vez, e é assim. Eu acho que todo artista longevo tem que aprender a conviver com vários tipos de fãs, com várias profundidades em relação ao trabalho e acho que isso é bom, evita a gente a ficar naquela famigerada zona de conforto, achando que sabe o que o fã vai achar do show antes de ele começar ou acabar.

R7– O que perdemos e ganhamos (artistas e consumidores) com esta revolução tecnológica em relação ao passado, quando o álbum foi lançado?
HG– Cara, eu não sei se a gente ganha muito fazendo uma conta de perdas e ganhos, porque é um caminho sem volta. Eu prefiro ficar pinçando o que tem de legal. Por exemplo, eu lancei o meu trabalho mais recente como vinil e nas plataformas digitais, quer dizer, não há mais um suporte hegemônico, cada um escolhe de quanto em quanto tempo quer lançar, em que formato quer lançar. Isso eu achei uma coisa boa dos tempos atuais. A possibilidade de entrar em contato direto com o público que se interessa pelo seu trabalho também é bem melhor, sem ter que passar pelos filtros da dita grande imprensa, como era antigamente. Por outro lado, rola um lance que parece que todo mundo está vivendo seu gueto. É muito mais difícil hoje as coisas vazarem, e acho que quando eu comecei era muito difícil fazer um disco, com gravação e equipamento, e era mais fácil de divulgar. Hoje todo mundo tem as ferramentas para fazer som no seu celular, mas está mais difícil de avisar seu vizinho de porta que tu lançou um disco que pode mudar a história da humanidade, se for o caso.

R7– Como é o seu dia a dia atualmente? Você é o que podemos chamar de hermitão ou costuma sair da toca para assistir a shows, ir ao cinema etc?
HG– Eu sou muito caseiro e eu fico muito na minha. Hermitão é uma palavra heroica para caramba. Mas eu fico muito na minha, fico fazendo meu som aqui em casa, cada vez mais.

R7– Quais foram suas inspirações na época em que gravou A Revolta dos Dândis e quais são as inspirações artísticas hoje?
HG– Eu acho que a gente fica sempre se informando, mas o que tu absorveu na época de formação acaba ficando naquele lado mais emocional do teu cérebro. O HD estava vazio, você ouvia as coisas de uma maneira mais sedenta. Depois a informação parece que já fica codificada logo. Então, acho que, basicamente eu gosto da música pop do viés dos compositores, essa coisa dos intérpretes e dos musicistas não é o que mais me atrai, MPB, rock’n roll. Mas é sempre mais pelo lado da escrita e principalmente se alguém tiver um ponto de vista que fuja um pouco das curvas, eu acho sempre mais interessante.

R7– Além de tocar o álbum na íntegra, quais músicas nunca podem faltar num show do Engenheiros?
HG– O álbum tem alguma dessas canções, Infinita Highway, Terra de Gigantes, Refrão de Bolero, mas tem muito lado B, que é um dos motivos pelos quais eu me interessei em tocar este disco na íntegra. A galera pede muito para tocar lado B mas é menos fácil do que eles imaginam sacar o que é lado B, porque uma música pode ter sido lado B antigamente e hoje já não ser. Então eu achava meio aleatório pinçar. Agora, eles estando no contexto de um disco eu acho muito divertido tocar, a Revolta tem um monte. A gente está abrindo o show com Revolta, depois eu toco as músicas do meu novo trabalho, que são parcerias que já haviam sido gravadas com os meus parceiros e eram inéditas para mim. Então tem Alexandria, com o Tiago Iorc, Olhos Abertos que é uma música que eu fiz com o pessoal do Capital Inicial, em 89, e O Que Você Faz A Noite que é uma parceria com o Dé, baixista do Barão Vermelho. Eu escolhi essas três porque eu queria lançar como um compacto duplo, e isso comportava seis minutos de música de cada lado, eu teria outras parcerias para colocar, mas essas eu achei significativas porque elas se espalham no tempo. A primeira é de 88, a mais recente é de 2015, então achei interessantes essas músicas. E além do Revolta, e dessas canções tem músicas de várias fases da minha carreira. O show é um trio guitarra, baixo e bateria, no meio tem um set acústico, no qual eu toco acordeom.

R7– Lembro que quando o entrevistei para o Estadão/Jornal da Tarde há uns 12 anos, você me disse que sua filha iria prestar jornalismo. Ela se formou. Virou crítica musical ou venceu na vida?
HG– A Clara fez um ano de jornalismo e desistiu, fez arquitetura e se formou. E agora é uma arquiteta muito feliz com a sua profissão.

Com informações do Portal R7

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