Demora para encontrar treinador bagunça planejamento e causa danos à equipe. Derrota de 2 a 0 para o Racing fica barata
O Botafogo iniciou a decisão da Recopa Sul-Americana perdendo por 2 a 0 para o Racing, na Argentina, nesta quinta-feira. E não tem muito do que reclamar: poderia ter sido pior. Ao evitar uma derrota mais elástica, manteve chances de reviravolta na partida de volta, quinta que vem, no Rio de Janeiro. Mas o cenário não é muito animador.
Pouco a pouco, vai se desfazendo o melhor time do Brasil no ano passado. A impressão que o Botafogo passa é de que, a cada punhado de jogos, perde um pouco mais da equipe campeã brasileira e da Libertadores em 2024. Foi-se o treinador (Artur Jorge), foram embora dois dos principais titulares (Luiz Henrique e Thiago Almada), partiram também jogadores que encorpavam o elenco (Adryelson, Marçal, Tchê Tchê, Eduardo, Tiquinho Soares). E agora derrete o que havia de melhor no Botafogo: a dinâmica de jogo.
O sucesso alvinegro esteve baseado na impressionante mecânica do quarteto ofensivo, casada com bom equilíbrio defensivo, com setores que se comunicavam. Sem Luiz Henrique e Thiago Almada, cai o rendimento de Savarino e Igor Jesus – o que é natural. O time começa a dar mais espaços, e erros individuais se avolumam, como aconteceu com Alexander Barboza contra o Racing – cometeu um pênalti no primeiro gol e deixou espaços ao se lançar ao ataque no segundo.
Depois de boa atuação contra o Fluminense, sinais preocupantes apareceram nas duas derrotas para o Flamengo (3 a 1 na decisão da Supercopa do Brasil e 1 a 0 no Campeonato Carioca, neste último com o adversário poupando alguns titulares). A comparação com o rival é ilustrativa: o Botafogo terminou 2024 melhor do que ele e agora já é um time inferior.
A demora para encontrar um treinador não ajuda. O clube está há um mês e meio em busca de um substituto para Artur Jorge. Começou o ano treinado por Carlos Leiria, resgatado na base, e agora foi comandado por Cláudio Caçapa, alçado ao posto justamente no começo da decisão da Recopa – a partida na Argentina foi a primeira dele com o time titular.
John Textor, dono do futebol alvinegro, já havia dito que, para ele, a temporada começa para valer em abril. A demora para contratar um técnico, portanto, não é exatamente uma surpresa. Mas o aviso prévio não faz com que o planejamento deixe de ser um problema, admitido publicamente por alguns jogadores, caso de Alexander Barboza depois do jogo contra o Racing.
– Não temos o treinador do ano passado. O treinador de hoje só teve três treinos com a gente. É um técnico interino, não sabemos se vai ficar o ano todo. Os jogadores também mudaram. Aos poucos, os reforços chegam. Muitos ainda não podem jogar, leva tempo. Alguns voltam de fora, precisam se adaptar ao futebol brasileiro. O tempo é curto, isso atrapalha. Não conseguimos ter uma nova ideia, fazer o que o treinador quer. O trabalho tem uma semana. É difícil que as coisas deem certo desse jeito — disse o zagueiro à ESPN da Argentina.
Enquanto isso, o Botafogo já perdeu um título para o maior rival, corre risco de desperdiçar uma taça continental e se vê em apuros no Campeonato Carioca, fora da zona de classificação para as semifinais. E o mais grave: vai vendo o time encantador do ano passado andar para trás.
Fonte: Globo.com – GE